Andropausa na verdade é Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculina (DAEM)

Andropausa não é um termo correto para ser usado para o declínio hormonal nos homens, pois diferentemente da Menopausa, que ocorre nas mulheres entre 45 a 52 anos e que se caracteriza por uma parada total da função ovariana, com a ausência da produção de hormônios femininos (estrógeno e progesterona) concomitantemente com a perda da sua função reprodutivas, os homens produzem hormônio por toda a vida.

Apenas 20% dos homens apresentam sintomas gerados pela queda da produção hormonal dos testículos, provocada pelo envelhecimento. Por isso, a melhor forma de denominação é Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), pois é gradativa, parcial e não acontece em todos os homens.

Estudos apontam que a queda da produção de testosterona (hormônio masculino) inicia-se por volta dos 40 anos, com uma taxa de redução entre 10 a 15 % a cada década de vida. Portanto, diferentemente da menopausa, a transição masculina pode ser mais lenta e estender-se por décadas.

Os principais sintomas são:
– Diminuição da força e da massa muscular;
– Diminuição da resistência física (fadiga);
– Aumento da gordura (visceral) e perfil lipídico que favorecem a formação aterogênica das artérias;

– Maior resistência à insulina;
– Comprometimento da memória e funções cognitivas, depressão e irritabilidade, muito frequente a queixa da perda da “alegria de viver” e diminuição do bem estar geral;
– Diminuição da libido;
– Diminuição do número de ereções noturnas/matinais;
– Disfunção erétil;

O diagnóstico da DAEM é feito de forma predominantemente clínica, sendo fundamental uma boa consulta urológica com pesquisa dos sinais e sintomas acima citados.

Os exames de dosagem hormonal não precisam ser realizados de rotina, e sim, na presença de suspeita clínica da DAEM.

Obesidade, hipertensão, diabetes, dislipidemias (presença de gordura no sangue, como colesterol e triglicérides), sedentarismo, tabagismo, abuso de álcool e problemas psiquiátricos podem, além da idade, favorecer ou agravar a Deficiência Androgênica Masculina do Envelhecimento.

O tratamento da deficiência hormonal se dá por:

1 – Mudança nos hábitos de vida, ou seja, aumento da atividade física, redução do estresse;

2 – Perda de peso, reeducação alimentar (auxílio de nutricionista);

3 – Redução do uso de álcool e do fumo;

4 – Tratamento da hipertensão arterial e controle da diabetes;

5 – Administração de medicamentos – uso de medicamentos não hormonais e reposição hormonal (em várias formas de apresentação e de forma de uso).

Importante enfatizar que a reposição hormonal não leva ao câncer de próstata, porém pode “alavancar ou ser promotor” de um tumor não diagnosticado. Portanto, antes de iniciar o uso de testosterona, devemos afastar a possibilidade da existência de um câncer de próstata no paciente.

 

 

Iderpól Leonardo Toscano Junior
Urologista da Uroserv
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia

 

 

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