É uma doença que se caracteriza por deformidade peniana durante a ereção, gerando principalmente uma curvatura quando o pênis está erétil. Ocorre devido a existência de uma placa no corpo do pênis, ou seja, uma fibrose inelástica dentro do corpo do pênis, gerando dificuldade para penetração peniana e, consequentemente, uma piora na satisfação sexual e na qualidade de vida.

A prevalência da doença é em torno de 9 % dos homens, com maior frequência em caucasianos, diabéticos e indivíduos com quadro de disfunção erétil. Acomete normalmente homens com mais de 50 anos de idade.

A causa é desconhecida, porém acredita-se que esteja relacionada a microtraumas de repetição durante relações sexuais, ou seja, um trauma que leva a uma lesão que desencadeia todo o processo de cicatrização e de formação de fibrose, gerando o problema peniano.

A dor na placa ou na ereção é um sintoma comum, porém nem sempre presente, ou seja, aparece na fase aguda da doença em torno de 40% dos casos.

A curvatura peniana é o problema mais impactante desta doença. Até 60º de curvatura é possível uma relação sexual satisfatória, com efetiva penetração, sobretudo quando o lado da curvatura é para o abdômen (dorsal) e de evolução gradativa. Já curvaturas ventrais e laterais podem gerar dificuldade para penetração sexual em graus menores.

Normalmente, dividimos esta patologia em duas fases:

– 1ª fase (aguda): aparece do início do quadro até aproximadamente 18 meses de história onde o quadro clínico mostra uma placa no corpo do pênis, normalmente associado a dor e a curvatura. Nesta fase costumamos dizer que a doença ainda não está consolidada pois a curvatura pode piorar ou em 20% das vezes até melhorar.

– 2ª fase: normalmente ocorre após os 18 meses, a dor melhora e a curvatura se apresenta estável.


Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clinico, através da anamnese, com dados referentes ao modo de início do quadro e da forma da evolução, além da investigação de fatores associados que favorecem a patologia, como tabagismo, diabetes, obesidade, dislipidemia e histórico sexual (existem questionários autoaplicáveis, que avaliam a função erétil do paciente).

O exame físico baseia-se na palpação da placa e verificação do comprimento peniano com o pênis estendido pela glande. A comprovação e a medida do grau da curvatura através de fotos com o pênis ereto ou de teste de ereção fármaco-induzido são imprescindíveis para a avaliação e a programação da terapêutica
Esta divisão da doença em fase aguda e fase de estabilidade é importante para a forma de tratamento.


Tratamento

Na fase inicial tratar a dor na placa é necessário, porém é importante frisar que há melhora em 90% dos casos com a evolução da doença. Existem vários medicamentos usados neste período como potaba, vitamina E, pentoxifilina, colchicina, entre outros, porém todos sem comprovação de eficácia na redução do grau de curvatura pelos trabalhos na literatura médica. Se o paciente tiver dificuldade de ereção, esta tem que ser abordada e tratada, pois muitas vezes o problema não se dá apenas pela curvatura e sim pela falta de rigidez peniana. Também é importante o tratamento psicológico do estresse emocional, presente em mais de 80% dos pacientes.

Os dispositivos de tração e/ou de vácuo apesar de não muito utilizados podem melhorar a curvatura em até 20º, reduzindo as indicações cirúrgicas.
A aplicação de ondas de choque extracorpórea não é recomendada visando a redução da curvatura peniana ou no tamanho da placa, apenas para melhora do quadros de dores no pênis.

Na fase tardia ou consolidada da doença se não houver curvatura importante, que não atrapalhe o intercurso sexual, a recomendação é de acalmar e ajudar psicologicamente os pacientes orientando-os de que esta patologia nunca evolui para câncer de pênis. Se a curvatura for importante, documentada por foto ou por teste de ereção, indicar correção cirúrgica da curvatura, cuja técnica irá depender do tamanho do pênis, do ângulo da curvatura e da deformidade do pênis (corporoplastia ou incisão da placa com colocação de enxertos e até prótese peniana).

 

 

 

Iderpól Leonardo Toscano Junior
Urologista da Uroserv
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia

 

 

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